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Sylvia Bianco, uma liderança feminina na construção civil

Atualizado em 23/10/2019 às 13:10
Sylvia Bianco, uma liderança feminina na construção civil

Sylvia Bianco, diretora executiva da HM Engenharia, está em um ramo majoritariamente masculino. Mas um cenário que em princípio poderia ser intimidador - segundo dados do Ministério da Economia, apenas um em cada dez trabalhadores da construção civil é mulher – contribuiu para que Sylvia tivesse ainda mais jogo de cintura para alcançar seus objetivos profissionais e pessoais. Ao lado de Mauro Bastazin, exerce a liderança da HM Engenharia em um modelo de gestão compartilhada em que a soma de competências é o segredo para atingir objetivos de negócios muito bem definidos. Juntos, Sylvia e Mauro têm o desafio de consolidar a HM como referência na aquisição do primeiro imóvel. E, assim como em sua vida profissional, ela tem objetivos pessoais muito claros. Conheça um pouco da história dessa executiva que, além de ser mulher em um ambiente dominado por homens, também teve de vencer o preconceito de ser a “filha do dono”, tudo isso conciliado com seus papeis de mãe e esposa. 

Ainda hoje existe um desequilíbrio de gênero muito muito grande no setor de construção, mas a HM parece se diferenciar. Como isso aconteceu?                     

Sylvia Bianco - De fato, há uma predominância masculina no segmento. Mas na HM sempre priorizamos a igualdade. Nunca fizemos restrições. As oportunidades aparecem e tudo acontece naturalmente. Hoje o nosso quadro de funcionários conta com uma presença feminina muito grande, tanto na liderança como nas obras. Nos canteiros, a divisão entre os engenheiros é exatamente igual: metade é mulher e a outra metade é homem. Na diretoria, somos maioria. Dos oito superintendentes, cinco são mulheres.

Há dois anos, você ocupa com Mauro Bastazin o cargo mais alto na HM. Ao mesmo tempo tem a família entre suas prioridades. Como é sua rotina?                     

S.B. - Eu sou casada e tenho um filho. Sou uma mãe participativa, assim como sou nos negócios. Todo mundo pergunta quando vou ter o segundo filho... Olha só,  eu costumo dizer que quando você investe na carreira, há o bônus e o ônus. Então, o ônus foi que eu poderia ter apenas um filho. Não daria para ter mais de um e ser uma mãe cem por cento. E, para mim, ser mãe inclui: levar para a escola, acompanhar lição de casa, fazer comida, passar o tempo com ele… tudo! Por isso, optei por ter apenas um filho.

Como você concilia todos os seus papeis? 

S.B. - Com muito planejamento, consigo me dividir. Mas o dia a dia é bem puxado! Na HM, temos uma rotina que não se limita ao escritório. Nós acompanhamos as obras e fazemos muitas viagens. Eu brinco que temos dois turnos aqui no trabalho e, quando chego em casa, ainda tenho o terceiro turno (risos). O meu marido tem uma rotina mais flexível, então a gente se divide nas responsabilidades com o nosso filho. Geralmente, compartilhamos as agendas para saber quem está fora e quem não está. Assim, conseguimos fazer essa dobradinha. Ele é muito parceiro neste aspecto. Sabe reconhecer qual é a minha posição e quais são as necessidades do meu negócio. Foi um combinado desde que a gente se conheceu: a minha vida é assim e exige essa cumplicidade.

Como você apontou, no setor de construção o desequilíbrio entre homens e mulheres é ainda maior na liderança. Você sente essa diferença na prática? 

S.B - Totalmente. O tratamento é muito diferente. Em algumas situações, eu sou a única mulher sentada à mesa. E é tão “engraçado” que, às vezes, eu me posiciono e as pessoas não se dirigem a mim de volta. Se dirigem ao Mauro.  Outras vezes, esquecem que eu estou lá e acabam fazendo uma piadinha machista. É quase como se eu não existisse dentro da sala. Por isso, é normal você precisar ser mais enfática para que as coisas aconteçam e para que te deem credibilidade. O Mauro é super companheiro nesse sentido. O tempo todo ele reforça nossa liderança conjunta. O Mauro é pai de três meninas, então ele entende e levanta essa bandeira. E nossa química é ótima. Somos complementares, com visões diferentes que se completam. Confiamos muito um no outro.

Na sua carreira, qual foi o principal desafio? 

S.B - Eu diria que o principal desafio é a credibilidade. Pensa bem: você é mulher, jovem, e senta-se à mesa com pessoas muito mais velhas que você (geralmente, homens)… Ninguém te dá credibilidade. As pessoas duvidam do seu talento e da sua competência. Parece que ainda não há aceitação, sabe? É um ponto muito complicado porque você precisa ficar se provando toda hora. A impressão é que você já entra devendo e precisa sempre elevar o nível da conversa e contar uma história mais elaborada. Só assim  as pessoas te aceitam. É como se fosse necessário se credenciar para estar ali.

Ser filha de Henrique Bianco, fundador da empresa, ajudou ou atrapalhou? 

S.B. - Entrei na HM em 1998. Eu não gostava que as pessoas soubessem que eu era filha dele. Sempre me esforcei muito para que não me vissem como herdeira, mas como uma profissional que estava lá para entregar resultado. Meu pai nunca teve nenhum tipo de influência na minha trajetória profissional, mas teve a habilidade de possibilitar minha ascensão da mesma forma que contribuiu para o desenvolvimento de outros talentos dentro da companhia. Eu admiro meu pai como empreendedor e homem de negócios e acredito que a recíproca é verdadeira.

Você sempre pensou em atuar no setor em que está hoje?

 S.B - Não (risos). Em 1995, eu me formei em arquitetura na PUC e estudei história da arte, da arquitetura e de costumes. Meu plano era fazer cenografia e produção na Itália logo que acabasse a faculdade. Era com isso que eu queria trabalhar. Então, acabei a graduação e já estava tudo acertado para eu sair do Brasil. Tinha até emprego acertado na Itália. Mas, quase antes de ir, acabei cedendo aos pedidos do meu pai e fiquei aqui. Na época, a HM ainda era sediada em Barretos. Eu me mudei para lá para trabalhar. Mesmo não sendo exatamente o que eu queria no começo, com o tempo fui tomando muito gosto pelos negócios. Trabalhei e estudei demais!

Como foi passar de uma empresa familiar para um empresa ligada a um dos maiores grupos empresariais do País? 

S.B- Tem sido uma experiência incrível e um grande desafio. Em 2008, fomos adquiridos pelo grupo MOVER e passei a me reportar a uma das diretoras o grupo. Recentemente, quando houve o processo de sucessão, eu e o Mauro fomos apontados ao Conselho de Administração. Partiu de nós sugerir a gestão compartilhada, que foi bem aceita por todos. Posso dizer que até chegar aqui foram muitos desafios e muitos anos de empenho. Foi um verdadeiro ciclo de profissionalização e eu tive uma base técnica muito boa aqui na HM, aprendi muito!